Crônicas da Cidade: Envelhecer sim, mas com dignidade.  

FernandoO Brasil está mudando o seu perfil social; o envelhecimento da população é uma das grandes conquistas culturais da sociedade e reflete melhoria das condições de vida que possibilitem uma perspectiva de sobrevida mais alta.

Isso no papel e nas estatísticas oficiais que mostram que o número de pessoas com mais de sessenta anos, no Brasil, dobrou nos últimos vinte anos e atingindo a marca de 12% da população. Na realidade quer dizer que nos próximos anos o país não será mais, exclusivamente de jovens, como estava destacado em épocas passadas, mas sim um país maduro.

Infelizmente a qualidade de vida, fator que deve ser levado em grande conta, não acompanha esta tendência da humanidade moderna. Enquanto em outros países de primeiro mundo chegar à idade “provecta” é encarado como uma conquista pessoal, com aposentadorias satisfatórias que dão tranquilidade àqueles que delas usufruem que possibilitam viagens de férias ou lazer, aqui no Brasil a única vantagem que os “velhinhos” percebem é “furar fila” — fato que atualmente não ajuda muito, visto que com o aumento da população de idosos as filas preferenciais estão maiores do que as comuns — e viajar gratuitamente em ônibus urbanos.

Aposentadorias insignificantes e reajustadas de forma diferenciada — aposentados receberam pouco mais de 5 % de aumento contra mais de 7% dos trabalhadores ativos e 10% do “bolsa família” — achatam cada vez mais o pequeno provento dessa oprimida classe social brasileira.

Mas como sou um cronista de Dias D’Ávila, vou transferir para nossa cidade os problemas que afligem os nossos idosos:

Os supermercados, bancos e instituições que apresentam filas de idosos, colocam apenas uma caixa para atendê-los, mesmo quando a fila correspondente apresenta um número maior de usuários. E aí o feitiço vira contra o feiticeiro, pois o idoso geralmente é mais lento do que os mais jovens e a demora triplica, deixando de ser um benefício para ser uma tortura.

No ônibus a situação é pior, pelo menos em Dias D’Ávila. Nesta cidade o idoso é obrigado a entrar pela porta da frente e ocupar, apenas, o espaço de dois metros quadrados entre a borboleta e a porta dianteira. Outro dia peguei um ônibus para a Lapa onde viajavam dezesseis pessoas idosas espremidas naquele espaço exíguo, enquanto na parte de trás o veículo apresentava vários lugares vagos. Isso, meus amigos é descaso criminoso, desrespeito, desmoralização e desobediência a uma lei que, teoricamente, deveria trazer bem-estar e conforto aos mais velhos. Em outras cidades como Salvador e Camaçari, os motoristas autorizam entrada pela porta oposta à borboleta. Acho que tal prática deveria ser obrigatória.

Sem dúvidas voltarei a este assunto em outras ocasiões, visto que é de enorme interesse para uma grande fatia de mercado, já que estatisticamente temos cerca de nove mil idosos na cidade; esses sofrem cada vez mais a discriminação, deboche ou impaciência daqueles que ainda não perceberam que um dia, em suas vidas, serão velhos.

Ou, talvez, não!

 

Por Fernando Gimeno

Comente Você Também!

comentários